terça-feira, 20 de julho de 2010

Transtornos alimentares demandam tratamento multiprofissional



A Bulimia e a anorexia, disturbios mais comuns em adolescentes e jovens mulheres, têm origens em instabilidades emocionais, o contrário do que acredita a maioria das pessoas, a insatisfação estética das mulheres não é a única causa dos transtornos alimentares. A bulimia e a anorexia, distúrbios mais comuns em adolescentes e jovens mulheres, têm origens em instabilidades emocionais aliadas à ansiedade.

O professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Henrique Torres, elucida que a jovem que desenvolve a bulimia ou a anorexia, muitas vezes, está vivendo um conflito pessoal. " O divórcio dos pais, a morte de uma pessoa querida, uma pressão muito grande na escola, ou um fracasso no vestibular, por exemplo, podem desencadear esses transtornos" , enumera.

Ele ressalta ainda que as doenças são, na verdade, fruto da busca de identificação com um modelo. " A pessoa busca ser alguém que pareça diferente do que ela é: que prometa ser um caminho diferente, no momento em que ela está vivendo alguma dificuldade. Ao se identificar com esse modelo, a jovem, muitas vezes, radicaliza. Ela quer ser muito mais do que o próprio modelo pode oferecer" , explica.

De acordo o professor, a mulher que sofre de distúrbios alimentares raramente busca ajuda voluntariamente. " Fica a cargo dos parentes mais próximos procurar ajuda e indicar o tratamento. Muitas vezes, a pessoa nega o transtorno. Só depois é que ela vai percebendo as consequências dos hábitos desencadeados durante a doença" , explica.

Sintomas

Segundo Henrique, a anorexia é mais fácil de ser identificada. " Há uma mudança no comportamento alimentar que pode ser observado. A menina começa a perder muito peso e a ingerir menos alimentos" , observa.

A bulimia, por sua vez, apresenta menos sinais físicos, já que a perda de peso pode não ser tão acentuada, como na anorexia. " A pessoa bulímica, entra em um processo de compulsão. Junto aos vômitos, ela também come compulsivamente. O que torna a identificação mais difícil é que esses hábitos são feitos às escondidas. A pessoa tem poucos sinais externos" , esclarece.

Mas a mudança de hábitos alimentares também está presente na bulimia. Henrique alerta que os principais sinais são as idas frequentes ao banheiro e as refeições são feitas em horários diferentes, sem a presença da família.

Complicações do paciente

Além da perda de peso excessiva, outros problemas acometem as mulheres que sofrem dos transtornos alimentares. " A perda de peso pode levar a problemas hormonais que podem desencadear a menorréia, ou seja, a menstruação é interrompida. Estes problemas também podem reduzir a incorporação de cálcio, na fase em que essas meninas mais deveriam incorporar este mineral. Isso é muito grave e pode levar à osteoporose" , alerta.

As bulímicas podem desenvolver outras complicações, como os distúrbios eletrolíticos. " Pode haver uma baixa de potássio no sangue e baixa de magnésio, além de hipotensão e arritimias cardíacas que, em casos mais extremos, podem até levar à morte" , adverte.

Ajuda

Ao perceber as alterações no comportamento da jovem, é importante que os pais procurem um bom profissional para orientá-los. O professor aconselha que o mais adequado é buscar ajuda de um médico que tenha compreensão desse processo. " Clínicos, endocrinologistas, nutrólogos, psiquiatras ou psicólogos são boas opções. Pode haver a necessidade de o psicólogo encaminhar o paciente para um médico que possa medicar ou fazer a abordagem nutricional, por exemplo. Mas a conformação multiprofissional é a melhor para atender este tipo de paciente" sugere.

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