terça-feira, 20 de julho de 2010

Exercício Físico e Transtornos Alimentares

Vários estudos demonstram que a prática regular de exercício físico está relacionada a benefícios para a saúde. Por outro lado, a inatividade física e um estilo de vida sedentário estão relacionados a fatores de risco para o desenvolvimento ou agravamento de certas condições médicas, tais como doença coronariana ou outras alterações cardiovasculares e metabólicas (Maron, 2000). Gullete e Blumenthal (1996) descreveram os benefícios da atividade física como tratamento adjunto nos quadros depressivos e ansiosos, sugerindo que esta deva ser prescrita em associação às demais terapias nestes quadros. Considerações sobre algumas hipóteses dos mecanismos fisiológicos envolvidos na melhora do humor e sintomas ansiosos após a prática de exercício aparecem em uma revisão de Morgan (1985). A primeira hipótese destacada é descrita como “hipótese da distração”, onde melhoras nos níveis de ansiedade/depressão seriam obtidas pelo fato do indivíduo distanciar-se de estímulos estressantes vitais durante a atividade física, não pela atividade física per se. Um segunda hipótese descrita é a das monoaminas, onde a prática continuada de exercício contribuiria para aumentar os níveis centrais de serotonina e noradrenalina, neurotransmissores reconhecidamente envolvidos nos transtornos afetivos e ansiosos. Por fim, a terceira hipótese e também a mais conhecida, envolve um aumento nos níveis de endorfina, um opióide endógeno implicado nos efeitos de bem-estar físico e psíquico descritos após prática de atividade física.

Um estudo recente publicado pela equipe do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, teve como objetivo descrever os métodos utilizados para controle de peso, com ênfase para a atividade física, em uma amostra de 47 indivíduos com transtorno alimentar, concluiu que a atividade física excessiva é um comportamento voltado para controle de peso, muito freqüente entre indivíduos com transtornos alimentares. Este padrão excessivo é motivo de preocupação, uma vez que pode acarretar prejuízos psicológicos, sociais e físicos que se somam aqueles comuns aos transtornos alimentares.


Confira o artigo completo acessando:hcnet.usp.br/ipq/revista/vol29/n1/4.html

Qual a diferença entre emagrecer e perder peso?


Perder peso e emagrecer são duas coisas completamente diferentes. Emagrecer significa perder tecido adiposo (gordura). Nem sempre a redução dos números na balança reflete uma redução de peso saudável. Mal estar, pele ressecada, irritabilidade, menor capacidade intelectual, podem ser alguns sintomas de perda de peso.

Quando iniciamos um processo de emagrecimento, ocorre uma redução maior de peso maior logo no início, isso porque o nosso organismo perde água, juntamente com a gordura que está sendo eliminada. Como a água pesa mais que a gordura, a balança pode até mesmo acusar um aumento de peso. Mas isso não significa que a pessoa esteja engordando, pois continuará havendo perda de tecido adiposo.
Nessa fase ocorre uma crescente perda de peso com o emagrecimento
de fato, que permite a conquista do seu peso idealizado.

O que determina a redução de gordura acumulada em nosso organismo é ingerir menos calorias. Ao reduzir a ingestão de calorias, o organismo irá buscar nas reservas de gorduras, a energia necessária para as atividades diárias. Porém, ao reduzir a ingestão de calorias, é necessário ter hábitos mais saudáveis. A indicação é a reeducação alimentar e as atividades físicas.

O melhor é buscar atitudes saudáveis para que a sua redução de peso não comprometa a sua massa muscular, pois isso garante o bem estar e facilita a sua manutenção de peso. Procure um nutricionista e faça exercícios físicos, respeitando o limite do corpo.

Transtornos alimentares demandam tratamento multiprofissional



A Bulimia e a anorexia, disturbios mais comuns em adolescentes e jovens mulheres, têm origens em instabilidades emocionais, o contrário do que acredita a maioria das pessoas, a insatisfação estética das mulheres não é a única causa dos transtornos alimentares. A bulimia e a anorexia, distúrbios mais comuns em adolescentes e jovens mulheres, têm origens em instabilidades emocionais aliadas à ansiedade.

O professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Henrique Torres, elucida que a jovem que desenvolve a bulimia ou a anorexia, muitas vezes, está vivendo um conflito pessoal. " O divórcio dos pais, a morte de uma pessoa querida, uma pressão muito grande na escola, ou um fracasso no vestibular, por exemplo, podem desencadear esses transtornos" , enumera.

Ele ressalta ainda que as doenças são, na verdade, fruto da busca de identificação com um modelo. " A pessoa busca ser alguém que pareça diferente do que ela é: que prometa ser um caminho diferente, no momento em que ela está vivendo alguma dificuldade. Ao se identificar com esse modelo, a jovem, muitas vezes, radicaliza. Ela quer ser muito mais do que o próprio modelo pode oferecer" , explica.

De acordo o professor, a mulher que sofre de distúrbios alimentares raramente busca ajuda voluntariamente. " Fica a cargo dos parentes mais próximos procurar ajuda e indicar o tratamento. Muitas vezes, a pessoa nega o transtorno. Só depois é que ela vai percebendo as consequências dos hábitos desencadeados durante a doença" , explica.

Sintomas

Segundo Henrique, a anorexia é mais fácil de ser identificada. " Há uma mudança no comportamento alimentar que pode ser observado. A menina começa a perder muito peso e a ingerir menos alimentos" , observa.

A bulimia, por sua vez, apresenta menos sinais físicos, já que a perda de peso pode não ser tão acentuada, como na anorexia. " A pessoa bulímica, entra em um processo de compulsão. Junto aos vômitos, ela também come compulsivamente. O que torna a identificação mais difícil é que esses hábitos são feitos às escondidas. A pessoa tem poucos sinais externos" , esclarece.

Mas a mudança de hábitos alimentares também está presente na bulimia. Henrique alerta que os principais sinais são as idas frequentes ao banheiro e as refeições são feitas em horários diferentes, sem a presença da família.

Complicações do paciente

Além da perda de peso excessiva, outros problemas acometem as mulheres que sofrem dos transtornos alimentares. " A perda de peso pode levar a problemas hormonais que podem desencadear a menorréia, ou seja, a menstruação é interrompida. Estes problemas também podem reduzir a incorporação de cálcio, na fase em que essas meninas mais deveriam incorporar este mineral. Isso é muito grave e pode levar à osteoporose" , alerta.

As bulímicas podem desenvolver outras complicações, como os distúrbios eletrolíticos. " Pode haver uma baixa de potássio no sangue e baixa de magnésio, além de hipotensão e arritimias cardíacas que, em casos mais extremos, podem até levar à morte" , adverte.

Ajuda

Ao perceber as alterações no comportamento da jovem, é importante que os pais procurem um bom profissional para orientá-los. O professor aconselha que o mais adequado é buscar ajuda de um médico que tenha compreensão desse processo. " Clínicos, endocrinologistas, nutrólogos, psiquiatras ou psicólogos são boas opções. Pode haver a necessidade de o psicólogo encaminhar o paciente para um médico que possa medicar ou fazer a abordagem nutricional, por exemplo. Mas a conformação multiprofissional é a melhor para atender este tipo de paciente" sugere.